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O mundo numa garfada: como nossos hábitos alimentares podem ajudar o planeta

Estamos colhendo os frutos de uma sociedade globalizada pós Revoluções Industriais na qual tudo é acelerado e interconectado. Nesse modelo, pequenos atos se somam e podem resultar em grandes impactos, positivos ou negativos.

Um exemplo é o surgimento de pessoas cada vez mais engajadas em pautas ambientais nas últimas décadas em resposta aos danos crescentes que a humanidade vem causando ao planeta. Greenpeace, WWF e o próprio Autossustentável são exemplos disso. Mas como você, que está em casa e não tem perfil de ativista ou não gosta de muita exposição, pode contribuir? A resposta pode estar na sua cozinha.

O hábito de comer carne todos os dias é algo recente na história da humanidade. Antes do advento da agricultura, nossa dieta era baseada naquilo que conseguíamos coletar e, eventualmente, de carne quando a caça prosperava. Mesmo depois que deixamos a vida nômade para trás, o consumo de carne era limitado a ocasiões especiais e festivas, assim como ainda é em boa parte das tribos indígenas. Hoje, a sociedade brasileira vê no consumo de carne um símbolo de status, de que a família vai bem financeiramente.

Em 2019, o brasileiro consumiu, em média, 103 Kg de carne (bovina, suína e aves). Segundo a Embrapa, cada quilo de carne bovina demanda 15,5 mil litros de água. O valor pode parecer absurdo, mas ainda não entra nessa conta a água contaminada pelo mau uso de aditivos, antibióticos, lavagem de abatedouros, etc. Desligar a torneira enquanto escova os dentes é importante, mas o consumo consciente de carne impacta bem mais na preservação ambiental.

A indústria da carne ainda é responsável por uma generosa fatia das emissões de gases estufa. Se o rebanho nacional fosse um país, seria o 17° maior poluidor climático do planeta, com liberação de 392 milhões de toneladas de gases estufa, segundo o SEEG (dados de 2016).

Além disso, é de amplo conhecimento a participação da agropecuária no desmatamento da Amazônia, que degrada o ecossistema e causa impactos sociais às comunidades indígenas. Segundo o documentário “Sob a Pata do Boi”, 80% do desmatamento amazônico é gerado pela indústria da carne. Além dos pastos, legais ou não, ainda pode-se contabilizar as áreas de plantio de soja dedicadas à alimentação do gado. Outra prática comum entre pecuaristas é desmatar terras sem a intenção de torná-las pasto para então vender com valorização para o agronegócio.

Calma, você não precisa desmarcar o churras pós quarentena! (Mas eu gostaria que esse texto te fizesse cogitar o vegetarianismo, não nego).

Existem várias alternativas tecnológicas sustentáveis que ajudam a minimizar todo esse impacto, como sistemas de integração lavoura-pecuária, integração lavoura-pecuária-floresta, pesquisas com gases de efeito estufa, cálculo da pegada hídrica do leite, qualidade da carne e melhoramento genético (Embrapa). Cabe aos consumidores buscar a origem do que põe na mesa, cobrar das empresas e dos governantes medidas para equilibrar a balança entre a pecuária e o meio ambiente.

O consumo de carne é algo cultural em nosso país, com raízes mais ou menos profundas em algumas regiões. Deixando à parte questões éticas, é possível tornar a pecuária uma atividade menos danosa ao meio ambiente e isso pode partir da sua iniciativa.

Não é necessário abolir a carne do cardápio, porém uma redução consciente é bem-vinda. Que tal aderir à Segunda sem Carne (MeatlessMonday) e sentir que, mesmo não sendo a Greta Thumberg, está ajudando a salvar o futuro da próxima (ou da nossa) geração?

 

 

 

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3 comentários

  1. […] carne artificial a partir de células-tronco animais. Como já discutimos no meu artigo anterior (clique aqui), a indústria da carne gera enormes impactos ao meio ambiente com emissão de gases, pegada […]

  2. Adorei o documentário! Precisamos urgentemente cuidar do nosso planeta.

  3. Texto muito bem escrito e muito interessante. Vou repensar alguns hábitos para também fazer minha parte.

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