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Doenças Sem Fronteiras

Alguma vez na vida, você teve o serviço de abastecimento de água da sua casa interrompido? Imagine se isso ocorresse hoje, durante uma pandemia, que a prevenção ocorre também através da higiene frequente das mãos com água e sabão. Você recorda de algum momento que teve que saltar poças ou ficar ilhado depois de um dia chuvoso? Já acelerou as passadas, enquanto passava por um local com odor desagradável de lixo ou esgoto?

Alguma dessas situações foi agradável? Acredito que não. Essa ilustração contrapõe o jargão político de não fazer “obras que ninguém vê”. O saneamento é obra visível, presente, necessária e instrumento promotor de saúde em nossas vidas, assim como consta no Art. 3º da Lei nº 8.080/1990.

Imagem: Creative Commons.

Ouso dizer que o saneamento representa a base de todo o sistema de saúde de um país. O conceito de saúde não se resume, apenas, a ausência de doença através de prevenção ou assistência médica, mas também a um estado de bem-estar físico, mental e social. Portanto, um dos fatores determinantes da saúde são as condições ambientais.

Normalmente, associamos o saneamento básico, somente, ao esgotamento sanitário, mas, segundo a Lei 11.445/07, ele compreende um conjunto de serviços, infraestruturas e instalações operacionais de abastecimento de água potável, esgotamento sanitário, manejo de águas pluviais (chuva e drenagem), limpeza urbana e manejo de resíduos sólidos. O verbo sanear significa tornar são, habitável e, o básico para que isso ocorra corresponde a manutenção dos serviços citados acima. Já tratamos de forma mais específica sobre saneamento básico no artigo “O que é Saneamento Básico? Entenda como funciona essa importante ferramenta de proteção à saúde humana e ambiental”, clique aqui para ler.

Como a falta de saneamento impacta a saúde pública?

Somente no primeiro trimestre de 2020, o Brasil teve mais de 40 mil internações por causa de doenças relacionadas a falhas de saneamento básico, segundo estudo da Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental. São consideradas Doenças Relacionadas ao Saneamento Ambiental Inadequado (DRSAI): diarreias, febres entéricas, hepatite A, verminoses, doenças de pele, conjuntivite, micoses superficiais, dengue, zika, chikungunya, leishmanioses, malária, doença de Chagas, leptospirose e esquistossomose.

Imagem: Creative Commons.

Você ou algum conhecido já foi acometido por alguma delas? Elas são mais comuns do que imaginávamos, não é mesmo? Todas essas doenças são consideradas evitáveis, portanto, uma pessoa que tem uma doença devido à falta de saneamento disputa um leito com uma pessoa com doença “inevitável”.

Como podemos colaborar para a universalização do saneamento?

Em ano eleitoral, devemos observar se os candidatos mencionaram a elaboração ou atualização do Plano Municipal de Saneamento Básico (PMSB). Esse documento é pré-requisito à liberação das verbas federais para o saneamento básico.

A saúde é um direito fundamental do ser humano e as consequências da falta de saneamento básico aliadas à atual situação de emergência sanitária, provocada pela pandemia de Covid-19, trazem implicações que desconhecem limitações geográficas.

 

 

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