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Alimentação saudável e o consumo de PANC (Plantas Alimentícias Não Convencionais)

As plantas alimentícias não convencionais, conhecidas pelo acrônimo PANC, são facilmente encontradas na natureza. São frutos, folhas, flores, rizomas e sementes que podem estar nos quintais, em canteiros ou entre as frestas das calçadas, nos terrenos baldios, na beira de estradas, sendo, por isso, confundidas com inços ou mato. Para Kinupp e Lorenzi (2014), as PANC são plantas que têm uma ou mais partes ou porções que podem ser consumidas na alimentação humana sendo elas exóticas, nativas, silvestres, espontâneas ou cultivadas.

Essa definição de não convencionais pode variar de acordo com a região e/ou com a cultura de um povo, aquilo que é não convencional no sul do Brasil pode ser corriqueiro no Norte e vice-versa. Como no caso do pinhão, da vitória régia ou também, da banana e do mamão, que podem ser considerados não convencionais se utilizadas partes diferentes destas plantas para alimentar, como a casca da banana e o “pé” do mamão (KINUPP e LORENZI, 2014).

Degustação de Patê de Inhame. / Imagem: Letícia Mairesse – Autossustentável.

Algumas pessoas confundem as PANC com folhas, inços, matos, em função disso, é preciso informá-las para que explorem, identifiquem e conheçam suas potencialidades e usos, experimentando novos sabores. Tais plantas podem ser consumidas in natura ou após preparo culinário, sendo que, seu consumo traz vários benefícios, por serem ricas em nutrientes.

É possível adquiri-las em feiras, mercados locais ou direto dos agricultores. Diante disso, ao visitar uma feira, deve-se perguntar ao feirante ou vendedor sobre essas variedades. Caso não encontre, tente encomendar, pois as PANC ainda não estão organizadas em cadeias produtivas e por isso são mais difíceis de estarem disponíveis nos locais de consumo habituais.

O livro “Plantas Alimentícias Não Convencionais (PANC) no Brasil” de Kinupp e Lorenzi (2014) é um guia de identificação com 351 espécies catalogadas, que aborda aspectos nutricionais e traz diversas receitas ilustradas, sendo uma sugestão para conhecer mais sobre as referidas plantas. As PANC são simples de cultivar e de grande adaptabilidade e rusticidade.

Imagem: FAPEAM – Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas.

Destaca-se aqui a importância da sua identificação correta a fim de evitar confusões, pois, em cada região pode ser conhecida por termos diferentes. Alguns exemplos de PANC mais conhecidos e divulgados são espécies como: Capuchinha (Tropaeolum majus L), Ora-pro-nóbis (Pereskia aculeata), Cará-moela (Dioscorea bulbifera), Inhame (Colocasia esculenta), Peixinho-da-horta (Stachys byzantina), Physalis (Physalis angulata) entre muitas outras.

Folhas de Peixinho-da-horta empanadas. / Imagem: Letícia Mairesse – Autossustentável.

Com as espécies acima citadas é possível inovar nos pratos do dia a dia, com preparações como, panquecas de Capuchinha; nhoque de Cará-moela acompanhado de molho pesto com Ora-pro-nóbis; folhas de Peixinho-da-horta empanadas (à milanesa); pasta de inhame; frango com Ora-pro-nóbis, enriquecendo assim, as refeições com nutrientes adequados para uma boa nutrição e rompendo com a monotonia alimentar imposta atualmente.

Preparo de Panquecas com Flores. / Imagem: Letícia Mairesse – Autossustentável.

Já existe um movimento significativo de resgate da biodiversidade, mas ainda é necessário divulgar o potencial alimentar, nutricional e de uso na produção de base ecológica das PANC, a fim de permitir às comunidades e populações, escolhas alimentares adequadas, com diversificação alimentar e a confiança na produção sustentável que possibilita a conservação e o uso dessas espécies nos sistemas de produção.

Escolhas e decisões alimentares são também um ato político, cabendo a nós, melhorar a qualidade da alimentação, reduzir custos e utilizar espécies da época e da região. Desta forma estaremos valorizando o nosso patrimônio sociocultural por meio da introdução ou resgate das espécies de PANC e estabelecendo uma relação harmônica com o meio ambiente.

 

Referências:

KINNUP, V. F.; LORENZI H. Plantas Alimentícias Não Convencionais (PANC) no Brasil: guia de identificação, aspectos nutricionais e receitas ilustradas. São Paulo: Instituto Plantarum de Estudos da Flora, 2014.

 

 

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