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A Reciclagem sozinha vai salvar o planeta?

Falamos muito sobre reciclar aqui na Autossustentável e sobre toda a importância desse processo para diminuição do impacto que temos no meio ambiente, seja considerando a reciclagem como instrumento para mitigar a poluição, ou como alternativa para menor extração de recursos naturais do planeta.

Mas é preciso entender que a reciclagem é parte (ou deveria ser) da destinação correta de todos os resíduos que geramos (comumente chamados de “lixo”). Por isso não podemos esquecer que a reciclagem faz parte de um processo maior, a gestão de resíduos urbanos – uma dos quatro componentes do saneamento básico no Brasil, clique aqui para saber mais.

Charge: Gilmar.

Além disso, ampliando um pouco mais nossa percepção, em um exercício de melhor compreensão de nosso papel enquanto cidadãos, consumidores e habitantes deste planeta cada vez mais prejudicado, a reciclagem é também parte de um processo de reeducação, onde a mudança de hábitos de consumo está ligada ao despertar da consciência socio-econômica-ambiental. Complicou? Calma que estamos juntos nessa jornada!

Tudo começa bem antes de nos depararmos com o todo o “lixo” gerado em nossas casas: latas e potes de alumínio, garrafas PET, potes de vidro, celulares e baterias, roupas que não usamos mais, eletrodomésticos, restos de alimentos e tantos outros tipos de coisas que precisamos descartar.

Reciclagem um dos 7 R’s da Sustentabilidade

Inicialmente pode parecer estranho, mas a sustentabilidade tem uma relação muito próxima com a economia e com a forma como consumimos. Quanto mais conscientes de nosso papel e quanto mais exigentes com as empresas das quais consumimos e com os governantes que nos representam, mais próximos estaremos de reduzir nossa pegada ecológica – ou seja, a pressão que nosso ritmo e hábitos de consumo geram sobre os recursos naturais e o planeta como um todo.

Ave atingida por vazamento de petróleo. / Imagem: Pensamento Verde.

Podemos começar a mudança de hábitos de consumo ao planejar nossas compras, pensar com calma e cuidado sobre o que vamos consumir. Aí entra em cena o que conhecemos como os R’s da Sustentabilidade, que nada mais é do que o processo de reavaliar nossa relação com o consumo, de despertar a consciência e entender a responsabilidade que temos, compartilhada com empresas e governos, em manter essa grande casa que nos acolhe habitável para nós, para as gerações futuras e para todas as espécies de fauna e flora.

Repense!

É muito comum ao entrar em mercados e lojas sem uma lista definida do que realmente precisamos, acabemos incluindo na cesta ou no carrinho produtos que não precisamos. As promoções são válidas apenas quando adquirimos um produto ou serviço que vamos de fato utilizar, isso ambientalmente e economicamente! Isso é válido também para compras online. Repense: consumo consciente é bom para o seu bolso e para o planeta!

Recuse!

Seguindo a mesma linha de raciocínio e pensando em nosso poder como consumidores, recuse produtos e serviços de empresas que não estejam comprometidas em melhorar sua atuação social e ambiental. Empresas que poluem o meio ambiente ou que não entendam a necessidade de ações voltadas para a inclusão social – aqui vale observar se a empresa possui políticas afirmativas para a contração de mulheres, negros, indígenas, portadores de alguma deficiência, LGBTQUIA+ – normalmente estão focadas apenas no lucro financeiro.

Imagem: Yvette W/ Pixabay.

Reduza!

Vamos a um exemplo prático: você vai ao mercado comprar 1 litro suco, o sufuciente para você passar o mês. Mas chegando ao mercado você se depara com a seguinte promoção: leve a embalagem de 2 litros de suco e pague apenas 1,8 litro. O primeiro impulso é comprar, mas será que essa quantidade toda de suco (1 litro a mais do que você consome normalmente) vai ser realmente consumida por você durante o mês? Será que esse suco não vai estragar justamente por levar mais tempo para ser consumido? Junto da quantidade maior de suco, vem uma embalagem maior, que precisou de mais matéria-prima para ser produzida, precisou também de mais água e mais energia. Quando for comprar alguma coisa, pense em como reduzir a quantidade de lixo que será gerado com aquilo e evite excessos de consumo.

Repare!

Quebrou? Tente consertar. Rasgou? Tente costurar. Soltou? Tente encaixar. Descolou? Tente colar. Seguimos em um ritmo tão frenético de consumo que quando algum produto apresenta alguma falha o primeiro impulso é descartar e adquirir um novo. Muitas vezes esse produto ainda possui uma vida útil considerável e descartamos, perde o meio ambiente, perde seu bolso.

Imagem: Pixabay.

Reutilize!

Vivemos na era digital onde em um clique ou deslizada de tela aprendemos a fazer coisas incríveis com objetos e produtos que temos em casa, dando vida nova e com utilidades bem criativas. O DIY – Do It Yourself, traduzindo, o “faça você mesmo” além de ser econômico também leva a termos em nossas coisas peças únicas, dando um toque de originalidade e personalidade.

Além disso, também é muito positivo quando adotamos o hábito de adquirir produtos que sejam reutilizáveis, como: guardanapos de pano, sacolas retornáveis, fraldas de pano e embalagens reutilizáveis para armazenar alimentos ao invés das descartáveis.

Recicle!

Finalmente chegamos à reciclagem! Viu só como são vários os passos até chegarmos aqui como consumidores? A reciclagem deve ser pensada quando todas as outras alternativas anteriores já foram esgotadas.

Imagem: Pete Linforth/ Pixabay.

E o que pode ser reciclado? Conforme expliquei em um de meus artigos aqui na Autossustentável – Não existe jogar fora! Saiba como descartar corretamente seu lixo – os recicláveis são geralmente as embalagens do que consumimos: plástico, alumínio (refrigerante, cerveja, enlatados em geral), vidro (garrafas), papel (cadernos, cartas, correspondências), e isopor (embalagens). Eles são facilmente reconhecidos pelo símbolo da reciclagem contido nas embalagens.

Reintegre!

Essa parte do processo é pensada para materiais que não podem ser reciclados, como a matéria orgânica, que é tudo aquilo que tem origem biológica. Reintegrar é retornar à terra tudo aquilo que ela nos ofereceu, fechando o ciclo natural. Através da compostagem dispomos restos de alimentos, cascas, sementes, saches de chá e café, folhas de árvores, buchas vegetais e colher desse processo adubo para nutrir a terra e nossa hortinha caseira.

 

E por que apresentei tudo isso a você em um texto que fala sobre reciclagem? Porque precisamos entender que a reciclagem sozinha não é capaz de dar conta de todo o lixo os resíduos que produzimos. Reciclar é sem dúvida muito importante para que elementos sejam reintegrados novamente à cadeia de produção, mas se continuarmos a consumir e descartar na velocidade atual, os impactos continuarão crescentes.

Fonte: Wikimedia Commons.

Outra situação preocupante é que no Brasil o índice de reciclagem é muito baixo. Segundo o Panorama dos Resíduos Sólidos no Brasil 2018/2019, documento elaborado pela Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe), das 79 milhões de toneladas de lixo resíduos geradas pelo Brasil em 2018, estima-se que apenas 3% foram de fato recicladas, mesmo o potencial de reciclagem sendo de 30%.

 

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