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Qual sabor a carne tem para a saúde e o meio ambiente?

De acordo com dados do IBGE referentes ao ano de 2019, a cada minuto cerca de 11.204 frangos, suínos e bovino foram abatidos para consumo no Brasil. Além da causa animal, que é de absoluta relevância, a alimentação baseada no consumo de carne se mostra menos saudável quando comparada a uma alimentação centrada em vegetais, já que esta favorece a prevenção de doenças cardiovasculares, obesidade, diabetes e diversos tipos de câncer.

Fonte: Pixabay/ Arte: Canal Rural.

Por se tratar de um alimento perecível, a carne demanda a incorporação de aditivos como nitritos e nitratos, que prolongam seu “tempo de prateleira” e permitem a comercialização antes do apodrecimento. E é justamente aí que mora um dos grandes problemas! Conforme pesquisas realizadas pela IARC (Agência Internacional de Pesquisa em Câncer da OMS), essas substâncias adicionadas têm o potencial de formar compostos cancerígenos.

Diante dos estudos, a carne processada – presunto, salame, hamburguer, linguiça e diversos outros embutidos – foi enquadrada pela agência no Grupo 1 de risco, junto com tabaco, álcool e amianto. Entretanto, o fato desse tipo de carne estar no mesmo grupo do tabaco, por exemplo, não significa que ambos sejam nocivos na mesma proporção, mas sim que nos dois casos a OMS considera comprovada a correlação entre seu consumo e o maior risco de câncer. A carne vermelha, por sua vez, foi classificada no Grupo 2A: provavelmente carcinogênica para humanos.

Voltando nosso olhar para questões ambientais, todo e qualquer esforço realizado na direção de uma vida mais sustentável é válido. Porém, quando se trata de água, nada parece impactar tanto na sua economia quanto eliminar a carne do cardápio. Compreensível, já que para produção de apenas 1 kg de carne bovina são utilizados entre 10 e 20 mil litros de água.

Como se não bastasse, em 2019 o Centro de Energia Nuclear na Agricultura da USP estimou que de 60% a 80% das áreas desmatadas na Amazônia eram utilizadas como pasto. Sem citar, é claro, a enorme parcela de terra coberta por plantações que se transformarão em ração para engordar animais que serão abatidos.

Área de desmatamento em Apuí (AM) é registrada em imagem aérea durante ‘Operação Área Verde’, realizada pelo Ibama./ Imagem: Bruno Kelly/Reuters. / Reprodução: UOL Notícias.

Só no primeiro semestre de 2020, a China comprou mais de 43 milhões de toneladas de soja brasileira (utilizada, em sua maior parte, na alimentação de porcos). Em meados do século XX os chineses plantavam quase metade de toda soja consumida no mundo, hoje não chega a 5%. Essa queda se deve ao grande estresse hídrico gerado no cultivo do grão, tendo em vista que para produzir 1 tonelada de soja é consumido, em média, 1,5 milhão de litros de água.

Em síntese, o governo chinês parece ter ideia do valor que a água possui. Inclusive, já gastou 80 bilhões de dólares em um dos maiores projetos de engenharia da história, um duto que transportará 45 trilhões de litros de água por ano.  Comparativamente, o Brasil manda por ano, inserido na soja, quase o triplo dessa quantidade que será transportada: 129 trilhões de litros. Ao importar soja brasileira, os chineses também estão importando água.

Produção de soja em Mato Grosso. / Fonte: Mato Grosso Econômico.

Todavia, se ainda assim você julgar necessário o consumo de carne, saiba ao menos que, de acordo com a Universidade Federal do Paraná, em 2017 o consumo per capita de carne no Brasil foi de 246,30 gramas por dia, quando o suficiente – nutricionalmente falando – seria apenas 71 gramas.

Estão cada vez mais evidentes os benefícios proporcionados por uma alimentação baseada em vegetais, seja sua motivação a saúde, o meio ambiente, a causa animal ou até mesmo, quem sabe, todos esses fatores combinados.

Obviamente, ao adotar uma dieta que difere da “tradicional”, alguns novos alimentos precisão ser apresentados e inseridos no cardápio, como grãos, leguminosas, verduras, cereais, oleaginosas e etc. E está aí, inclusive, mais um ponto mega positivo, já que uma infinidade de possibilidades se abrirá.

Tirando os alimentos de origem animal do prato por apenas 1 dia, uma pessoa deixa de gerar 14 kg de CO2 emitido na atmosfera (o que equivale a 100 km rodados de carro), 7 kg de grãos (usados como ração), 3.400 litros de água (o equivalente a 26 banhos de 15 minutos cada) e ainda preserva 24 m² de terras.

Imagem: Pixabay.

A carne pode conter nutrientes importantes ao organismo. Contudo, junto com tais nutrientes, por tabela, são ingeridas diversas substâncias nocivas à saúde. Então, por isso – e também pelo rastro destrutivo deixado até chegar ao prato – talvez seja válido considerar a busca por alimentos mais naturais, que causem menos efeitos colaterais.

Não se trata, portanto, de condenar a agropecuária e as pessoas que querem (ou que até mesmo ainda precisam) consumir carne, mas sim de repensar os modelos de produção e consumo que estamos reforçando diariamente. Afinal, para quem já pode escolher, existe uma enorme responsabilidade em gerar menos impacto e usar o garfo como “arma” política.

 

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