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Relaxamento e autocuidado na cozinha: nutrindo a Ecologia Interior!

Não é mais segredo para ninguém que nosso estado interno determina nosso comportamento de consumo e hábitos. Os tipos de pensamentos, de sentimentos, a qualidade das emoções… tudo isso compõe o que chamamos de ecologia interior.

Todo pensamento cria um tipo de fala, que gera um tipo de sentimento, de ação e de hábito. E cada um de nossos hábitos impacta o mundo. É sempre um movimento de dentro para fora, por isso ser sustentável tem muito de autocuidado. Não dá mais para fugir desse ponto de partida!

Imagem: Creative Commons.

No cenário atual e ainda pandêmico, sabemos bem os níveis de escassez interna e os níveis de excessos que movimentamos dia a dia a ponto de nos tornarmos frios, mecânicos e desatentos a tudo e todos que nos cercam. Parece que ligamos nosso piloto automático e as “lives” que tanto assistimos, de certa forma, minaram o “ao vivo” que podemos e devemos ter.

Fragmentamos nossa existência mas nunca é tarde para praticar atividades que tragam de volta o entendimento de que há vida brotando em todo canto e que somos cocriadores de uma realidade. Vamos juntos? Comece despertando sua criança interior. Ela sabe das coisas.

Estamos em um grande exercício para reconexão com uma ideia de “teia”. Todo movimento que fazemos promove ou não ambientes sustentáveis. Tudo depende do olhar que se expressa a partir de nós.

Imagem: Creative Commons.

Sinto que aos poucos estamos reaprendendo a olhar para o lado de dentro, e nos percebendo como integrados ao meio ambiente externo. Muitos de nós, inclusive, voltaram a buscar atividades mais orgânicas e artesanais para manter a chama verdejante da vida. Atividades criativas, diferentes e sem que precisemos mutar o microfone ou ligar a câmera.

Um bom espaço para isso é a cozinha de nossas casas.

Monte um caderno de registros orgânicos na sua cozinha e se conecte com a vida!

Imagem: Creative Commons.
  1. Observe os alimentos – Ao cortar um tomate orgânico, como ele é por dentro? Compare com um tomate produzido em larga escala, envolto em agrotóxicos. O que percebe de diferente? O tamanho? A cor? Escreva com um lápis, desenhe o alimento, pinte mostrando as diferenças…
  2. Ao cortar uma abóbora, o que você nota? A teia, as ligações que mantém as sementes ali, unidas e prontas para germinarem. Novamente registre! Faça colagens com revistas velhas, folhas secas.
  3. Cores! Veja e se encante com as cores. Pinte as folhas de seu caderno de registros com elas. Beterraba, cenoura, couve etc. Tudo isso expressa vivacidade e pinta. Faça suas tintas naturais.
  4. O pimentão e seu cheiro. A pimenta e sua ardência. A laranja e o sol que ela mostra quando cortada na metade. Registre também os sabores, os sentimentos que eles despertaram em você, as boas memórias… Por exemplo, o bolo de laranja de alguém especial.
  5. As linhas da vida na folha da couve. A árvore no repolho quando você corta vertical e a mandala quando corta horizontal. As linhas da sua mão… Trace poemas em linhas, reproduza o desenho dos alimentos.
Imagem: Creative Commons.

Esses são apenas alguns exemplos de como, o tempo todo, somos convidados a estar unidos com a vida, de forma criativa, lúdica, relaxante e mesmo amorosa.

Quando vamos para a cozinha nem percebemos os desenhos naturais que cada alimento tem. Se compararmos com o nosso desenho interno, podemos nos surpreender ainda mais! Nosso pulmão e a copa das árvores. Nossos vasos sanguíneos e a raiz da árvore. Tão semelhantes!

Poderia exemplificar muito mais para afirmar que somos parte de um mesmo meio ambiente.  O fato é que precisamos refinar o olhar. Precisamos estar presentes de uma maneira diferente e menos egóica, menos mecânica, menos consumista e focada em outros sentidos para além do paladar. Podemos nos nutrir da beleza da vida e aprender com a observação, saudando a arte natural e precisa que existe.

Imagem: Creative Commons.

Vivemos um período propício para isso. Podemos sim deixar de um pouco de lado as telas e nos entregarmos a momentos para a leitura das entrelinhas, para desbravar os aromas e sabores de uma forma mais atenciosa e experimental.

Já dizia Guimarães Rosa, “Felicidade se encontra nas horinhas de descuido.” Já eu, apenas lhes digo: Divirtam-se um pouco sem teclados.

 

 

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