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Além das PANCs, o que deixamos de ganhar por não conhecer nossa biodiversidade?

As Plantas Alimentícias Não Convencionais (PANCs) tem chamado cada vez mais atenção da população, seja pela busca de novas experiências gastronômicas, seja pelo interesse de adotar um hábito de vida mais sustentável, ou mesmo por motivos culturais – que normalmente se restringem a determinada região até que sejam transpostos para uma esfera global.

O que as PANCs nos revelam é que há diversas espécies de plantas, que podem ser exploradas comercialmente, desde que, sejam realizados estudos científicos para entender como estas espécies podem nos beneficiar. Segundo dados do Ministério do Meio Ambiente, o Brasil detém cerca de 20% da biodiversidade global, distribuídos em diferentes biomas, o que leva a ocorrência de espécies únicas em microrregiões ainda mais únicas.

Folhas de capuchinha.

Entender a biodiversidade das distintas regiões do Brasil, e como ela é explorada pelas comunidades locais, pode nos relevar produtos promissores e uma rede de cadeias produtivas, que além de beneficiarem o meio ambiente, geram economia e trazem produtos benéficos para população em geral.

Fugindo do assunto das PANCs, e indo para um mais abrangente, há espécies que desempenham papeis chave no meio ambiente, e que têm potencial para serem exploradas comercialmente. Um exemplo que gosto de citar são espécies de plantas halófitas, que conseguem se desenvolver bem em ambientes com altas concentrações de sais. Para tal feito, estas plantas possuem mecanismos fisiológicos que permitem o acúmulo de sal em determinados órgãos, como folhas, caule, raízes ou frutos. A presença destes sais está atrelada a mecanismos de síntese de biomoléculas que aumentam a capacidade de sobrevivência destas plantas. Estas biomoléculas podem ser extraídas e utilizadas em diversas indústrias, como a farmacêutica, a alimentícia e a biotecnológica.

Erva de sal (Sarcocornia ambigua). / Imagem: Diário Catarinense.

E por que não transformar essa espécie acumuladora de sal, e rica em biomoléculas benéficas para saúde, em um produto como um tipo de sal orgânico? Ou nutracêutricos totalmente a base de vegetais, para reposição de sais como cálcio, potássio ou até mesmo ferro? Um exemplo destas plantas é a erva de sal (Sarcocornia   ambigua), que apresenta altos teores de magnésio, potássio, cálcio e zinco, ácidos graxos com propriedades anti-inflamatórias, e que, por consequência, é utilizada na alimentação humana.

Claro que quando pensamos dessa forma, devemos ter em mente que diversas pesquisas científicas são necessárias para garantir a seguridade do uso destas espécies. Ou seja, um controle rigoroso sobre o tipo de matéria orgânica e inorgânica presente nestas, além dos impactos que a exploração delas acarretariam, tanto os negativos quanto os positivos.

A salinização dos solos é uma ameaça à agricultura e a segurança alimentar. / Imagem: Nossa Ciência.

Citando novamente as plantas halófitas, cultivá-las em solos ricos em sais e improdutivos seria uma solução para o problema da infertilidade provocada pela presença de altas concentrações de sais no solo. Essas plantas também poderiam gerar produtos ou insumos para diversos ramos industriais, além de outros potenciais benefícios que só pesquisas científicas, dentro de diversas áreas de estudos, poderiam nos revelar.

 

Referências e Sugestões de Leitura:

 

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MIRANDA, Paulo Henrique. Além das PANCs, o que deixamos de ganhar por não conhecer nossa biodiversidade?. Autossustentável. Disponível em: https://autossustentavel.com/2021/09/alem-das-pancs-o-que-deixamos-de-ganhar-por-nao-conhecer-nossa-biodiversidade.html

 

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