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Sustentabilidade, Equidade de Gêneros e Feminismo

Semana passada enquanto estava dando aula sobre os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, um dos alunos ficou intrigado com o ODS 5 que fala sobre Equidade de Gêneros. Para ele, eram coisas completamente diferentes e sem nenhuma conexão.

Tivemos então um diálogo muito interessante, no qual quebramos juntos alguns paradigmas e tentei mostrá-lo que para mim, não existe sustentabilidade sem feminismo nem feminismo sem sustentabilidade.

Isso não saiu mais da minha cabeça e achei que poderia ser um assunto diferente e pertinente para tratar aqui em minha coluna no Autossustentável.

Compartilhei com ele que para mim, feminismo é um movimento (social, político, cultural, ambiental…) que quer conquistar o acesso aos mesmos direitos e liberdade de escolhas entre homens e mulheres. Feminismo não é o contrário de machismo, não é o contrário de feminina, não é orientação sexual e muito menos acabar com os homens. Feminismo é a busca por equidade, liberdade e direitos iguais. 

Igualdade
Imagem: Creative Commons

Sustentabilidade é outra palavra cheia de interpretações e definições. Várias delas fazem sentido, outras nem tanto. Mas já que estávamos tentando fugir do clichê e abrir novas visões, mostrei para ele uma definição de sustentabilidade (feita pelo meu querido amigo e sócio, Edson Grandisoli): “a busca permanente da manutenção dos processos tipicamente humanos (culturais, políticos, econômicos, sociais, etc.) sem que estes prejudiquem e, idealmente, melhorem, os processos biogeoquímicos, garantindo a manutenção e aumento da diversidade e da biodiversidade”. Sustentabilidade não é mais um conceito, ou tema, ou moda. É um VALOR.

Sustentabilidade
Imagem: Creative Commons

Vale destacar que para estabelecer de maneira integral todos os paralelos entre esses dois movimentos tão complexos, eu precisaria de muito mais que 3.000 caracteres. Fiz aqui apenas um recorte de dois pontos que tiveram maior destaque em nossa discussão:

1. Não faça com os outros aquilo que não deseja que façam com você!

Para Matthieu Ricard, monge budista francês que foi considerado o homem mais feliz do mundo em 2012, a chave para um mundo mais justo e sustentável é o altruísmo. E o que isso significa?

No feminismo, os olhares estão voltados para os gêneros, já na sustentabilidade, para atuais e principalmente futuras gerações. Mas tudo se resume a: precisamos nos importar mais com os outros. Precisamos ter mais empatia, solidariedade, compaixão e amor. As necessidades coletivas devem ser consideradas e não apenas as individuais.

Empatia
Imagem: Creative Commons

Não dá mais para comprar um carro novo todo ano sem pensar no impacto que isso tem para as outras pessoas, para a biodiversidade do planeta, para os recursos naturais e para as populações vulneráveis. Não dá mais para flertar com uma mulher na rua sem nem pensar se ela pode ou não estar se sentindo ameaçada por isso.

Já passou da hora de começar a nos importarmos mais uns com os outros.

2. Enquanto houver a cultura da dominação, não existe sustentabilidade nem equidade de gêneros

O termo ecofeminismo foi utilizado pela primeira vez em 1974 pela francesa Françoise d’Eaubonne.

Esse movimento estabelece uma relação estreita entre a exploração da natureza e das mulheres pelo poder patriarcal, cujos fundamentos e impulsos têm a mesma origem. De acordo com o ecofeminismo, tanto a natureza quanto as mulheres são consideradas como “recursos úteis” e podem ser exploradas: seja para consumo próprio, para produção de bens materiais, para gerar e cuidar de filhos ou como mão de obra barata. Para saber um pouco mais sobre ecofeminismo, clique aqui.

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O ecofeminismo rechaça a estreita relação entre a exploração da natureza e das mulheres pelo poder patriarcal (exemplificado no anúncio acima)./ Imagem: Pinterest

Pode parecer um tanto quanto radical e obsoleta a visão da mulher (ou da natureza) como sendo dominada pelo homem, mas ainda vemos resquícios e impactos dessa crença o tempo todo nos dias de hoje.

Por mais que inúmeras pessoas acreditem que sustentabilidade se resume apenas a questões ambientais, não é verdade. Um mundo em que metade população não tem as mesmas oportunidades apenas por serem mulheres é algo que queremos (e podemos) sustentar por muito mais tempo?   

P.S. (e bem importante!): Falar sobre feminismo e sustentabilidade pode ser um desafio, até para pessoas que buscam estudar e conhecer cada vez mais a fundo. Se por acaso você não concorde com algo que eu escrevi, por favor, me escreva e vamos bater um papo. Estou acessível a ouvir o que você tem a falar com coração aberto (se assim estiver o seu).

 

 

 

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Um comentário

  1. Adorei o texto, gostaria mais de saber sobre ecofeminismo, poderia falar mais detalhadamente sobre?

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