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O quanto de Brasil nós preservamos?

O Brasil é um país com grande riqueza de ecossistemas que se distribuem em seis biomas: Amazônia, Cerrado, Mata Atlântica, Caatinga, Pampa e Pantanal, comportando uma grande variedade de espécies e de interações biológicas bem únicas. Devido a anos de exploração e expansão urbana, diversos ecossistemas ficaram comprometidos, levando a perda da biodiversidade e consequentemente de funcionalidade, até que no ano de 2000 foi aprovada a Lei do Sistema Nacional de Unidades de Conservação (Lei 9985/00) que prevê mecanismos de defesa de ecossistemas e de recursos naturais.

Atualmente existem dois tipos de Unidades de Conservação (UCs), as Unidades de Proteção Integral que possuem os mais altos graus de conservação, não permitindo o consumo, coleta ou danos aos recursos protegidos, sendo que algumas categorias desse tipo de UC sequer permitem visitação da sociedade. Já no segundo tipo de Unidades de Conservação, as Unidades de Uso Sustentável, é permitido o extrativismo, porém de forma regulada.

Mapa das Unidades de Conservação no Brasil. / Fonte: Embrapa.

Segundo dados do Ministério do Meio Ambiente, o Brasil conta com cerca de 18,15% do seu território continental protegido, o que corresponde a uma área de 1.545.422 km². Dessa área, 6,03% são UCs de Proteção Integral contando com planos de manejo, porém sem gerar recursos que podem ser extraídos pelas populações locais para gerar renda. Os outros 11,81% dizem respeito a UCs de Uso Sustentável, que contam tanto com plano de manejo, como também geram recursos para as comunidades locais, permitindo sua exploração e geração de renda.

Já de área marinha, cerca de 27% das águas brasileiras são protegidas (o que equivale a 960.774 km²), 23,06% dessa área corresponde a UCs de Uso Sustentável, das quais muitas foram implementadas para promover o extrativismo sustentável de pescadores e marisqueiras.

Embora os números soem expressivos, dado o tamanho do Brasil, é importante destacar que muitas dessas UCs protegem pequenos fragmentos, muitas vezes não representando uma parte significativa do ecossistema. Tendo como exemplo a Mata Atlântica, que se estende de parte da costa do nordeste, pega todo o estado de Sergipe e se estende até alguns estados do sul, embora seja o segundo bioma brasileiro mais protegido é o que possui maior número de UCs – são 1.437 UCs que protegem cerca de 108.867 km² de Mata Atlântica. No entanto, a maior parte dessas UCs protegem apenas pequenos fragmentos que não necessariamente resguardam toda a biodiversidade presente nesse ecossistema, que atualmente conta com apenas cerca de 12% da sua cobertura original. Ou seja, desde o período de exploração do Brasil, perdemos cerca de 88% das informações e das riquezas naturais presentes nesse bioma, e desses 12% restantes, protegemos muito pouco dele.

Floresta Amazônica. / Imagem: Creative Commons.

As UCs da Amazônia também possuem suas peculiaridades, seguindo um caminho contrário à Mata Atlântica, a Amazônia conta com cerca de 352 UCs que protegem 1.180.382 km² do bioma. É 10 vezes mais do que o território protegido de Mata Atlântica, porém, mais da metade dessa área é destinada a UCs de Uso Sustentável.

Mesmo que a conservação do meio ambiente seja garantida por lei, muitas espécies e ecossistemas essenciais acabam ficando de fora, e até mesmo as áreas protegidas estão sujeitas a desastres que causam danos severos, como no caso do derramamento de óleo no litoral brasileiro em 2019 que atingiu diversas cerca de 55 UCs, como também os incêndios na Amazônia (2019-2020) e os incêndios no Pantanal (2020).

As queimadas que já destroem o Pantanal mato-grossense – considerada a maior planície inundável do mundo – há quase dois meses causaram os maiores danos da história. Esse é o maior incêndio registrado na região pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) desde que o monitoramento começou a ser feito, em 1998. / Fonte: G1. / Foto: Foto: Mayke Toscano – Secom – MT.

Todos nós somos dependentes da natureza, tanto pelos produtos que ela provém, como pelos serviços que ela nos presta. Assim, cabe a todos nós avaliar nossas ações para minimizar nossos impactos e cobrar do governo a criação de novas UCs, bem como a implementação de planos de gestão eficientes que assegurem a conservação e práticas sustentáveis a longo prazo, além de planos de contenção para que desastres como os citados acima tomem grandes proporções.

 

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Leitura Sugerida:

  • PRIMACK, R.B.; RODRIGUES, E. Biologia da conservação. Londrinha; vida, 2011, 328 p.

 

 

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Um comentário

  1. […] alguma a arborização urbana substitui a presença de parques, praças, jardins, canteiros e as Unidades de Conservação, pois são esses espaços verdes mais amplos e contínuos que cumprem as funções ecológicas e […]

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